
Um Amor de Corno
_ Zana, eu sou seu esposo, sou deus e você me ama, você me ama, ta ouvindo? Hein vadia? Foda-se, Eluzana sua dadeira, foda-se! Eu sou seu deus.
_ Você é um louco.
Falou o amante da mulher de Johnny ainda com o corpo nu descansando sobre o dela que estava de bruços na cama, gemendo e rindo muito, derramava um riso feliz de satisfação enquanto sentia o jorrar do macho por dentro e o sêmen de cheiro forte a lhe escapar por entre as coxas roliças. O esposo, fascinado com a cena segurou a pica pequenina em uma das mãos e continuou a falar quase babando.
_ Eu quero comer suas fezes, sua puta, quero lamber tudo que ele arrancar de você quando te virar do avesso, eu sou Baco, minha rainha... minha cereja atômica eu tenho um caralho para você, olha aqui meu amor.
A esposa gargalhou, um riso alto ecoou pela casa, ela saiu de baixo de Lázar, sentou com as pernas bem abertas, mostrou para o marido, riu mais alto ainda e zombou:
_ Está brincando?
Johnny se levantou do chão, o pau mole ainda para fora mostrava o fracasso de homem que sempre foi, agarrado a garrafa de uísque que já estava no final e com lágrimas nos olhos ele falou olhando para ela:
_ Eu te amo... vou dormir lá fora.
O corno saiu do quarto deixando a porta aberta, completamente bêbado foi até a sala e se deitou no sofá, enquanto Zaninha a Dona de Casa fodeu com o negro por toda a tarde até que ele se foi. Recuperada do tédio ela tomou um banho demorado, usou sabonete de erva doce e perfumou todo ambiente. A mulher de Johnny ligou para a mãe a quem pediu um favor:
_ Mãezinha liguei para o motorista do transporte escolar e pedi que deixasse as crianças em sua casa hoje na saída, o Johnny bebeu de novo, não quero que eles presenciem isso.
Mentirosa, na verdade o motorista havia estado com ela intimamente por toda tarde e não foi preciso ligar para ele já que pediu que deixasse seus filhos na casa da mãe enquanto foi arrombada pelo fulano bem forte e por trás, adorou aquela loucura.
Horas depois, Eluzana acendeu um cigarro na chama da trempe do fogão, ela preparou um café bem forte para ajudar o maridão a não ficar de ressaca, afinal de contas para eles o amor era isso, essa coisa sem lógica alguma e no final da noite Johnny e ela fizeram amor, trocaram caricias, juras e saliva. No beijo dele havia um gosto de vomito e no dela o sabor da porra de outro homem, não haviam escovado os dentes e nem se quer se preocupado, gostavam... de sentir os fluídos, definitivamente viviam um amor totalmente fora de lógica, mas de algum modo, amor, excêntrico. Zana não gargalhou tão alto e forte quanto antes com Lázar o negro, apenas sorriu e mais nada, nada mesmo.
Poesia de Fim de Noite
Faz parte daquela cota de coisas inexplicáveis que me surgirão ao longo da vida,
não sei como
só sei que gosto.
Estou aprendendo a viver
e o cheiro
o sabor...
tem sido adoráveis
doces,
alcoólicos...
minha cara,
senti-lo por dentro
qualquer hora
uma hora
qualquer
ou mais.
Inspirações...
ainda bem que elas existem o que seria de mim sem elas?
Quase Vinte Nove
quase em Saturno,
quase...
quase duas horas da manhã e meu pensamento voa,
estou sorrindo
Olhar de Menino
_ já para cama, moleque, agora!
Assim gritou a anciã de grandes óculos e camisola de algodão. Agarrada a sua bíblia de capa de couro, a velha, bateu o pé no assoalho, enérgica, era capaz de assustar qualquer um e Thomaz correu para o quarto com o coração aos saltos, quase havia sido pego por ela, dês de a morte da mãe ele e os irmãos passaram a ser criados pela velhota que com pena do sobrinho viúvo se mudou para o casarão da Rua das Prímulas onde passou a viver bem, comer do bom e do melhor, se fartar e vigiar as crianças que já estavam quase todas crescidas, Eliesér o mais velho estava servindo à marinha, Alicinha menina estudava no colégio de freiras, e a jovem e bela Dorotéia havia voltado para casa recentemente, terminara os estudos e em breve se tornaria noiva do filho do prefeito, apenas Thomaz ainda era uma criança, ou talvez nem mesmo ele, talvez ha muito tempo não existam mais crianças no mundo, apenas demônios disfarçados, anjos de mentira.
Ao cruzar a porta o garoto caiu no leito macio e se pos a sonhar acordado, havia visto a coisa mais linda de sua vida, a mais fascinante, provavelmente se a tia terrível o tivesse surpreendido o espancaria com a cinta, cortaria o seu café da manhã, mas ainda assim teria valido a pena, jamais havia repousado seus olhos infantis em algo tão intenso, era pureza e luxuria em uma única visão, ah... Thomaz sentiu o enrijecer do membro escondido por suas ceroulas e pela calça presa pelo suspensório, que dificuldade tirar tudo aquilo, estava tão duro como nunca havia sentido em toda vida, Dez anos de idade e pela primeira vez teve a consciência do que havia lhe causado aquilo e livre das roupas apertou o caralho que tão cedo já se mostrava avantajado, pressionou, moveu rápido, de olhos fechados... lembrava-se da aparição de Dorotéia através do buraco da fechadura, a nudez pálida de uma fêmea no alvorecer de sua décima sétima primavera, deitada na cama com os longos cabelos cacheados espalhados pelo lençol, ela, abriu as pernas deixando a mostra uma xana quase que obscura, os pelos negros pareciam compridos e se espalhavam por toda a vulva e pela virilha, nem mesmo a cachorrinha Lulu mascote da família tinha uma buceta tão cabeluda e naquele instante... tudo o que menino órfão mais quis em sua vida foi meter-se no meio daquela coisa descomunal e sentir o cheiro, a textura... viu a irmã vibrante segurar a escova de cabelos e penetrar aquele “urso” com o cabo, Dorotéia sorria e piscava os olhos verdes num êxtase imenso, a ninfa deve ter gozado, mas o irmão caçula não assistiu, porque a tutora apareceu e então ele arrancou a porra que mais parecia água de tão cristalina e pura sozinho no silencio de seu aposento azul, ele ganiu feito um animalzinho ao sentir o primeiro jato e sobre a prateleira o caminhãozinho de madeira já não fazia mais sentido, alguém bateu na porta.
_ Mano você está bem? Ouvi vindo do seu quarto um som estranho, parecia um gemido, por acaso aquela megera te bateu outra vez? Quer dormir comigo essa noite queridinho? Prometo te proteger, agora que voltei para casa ninguém mais irá te maltratar, meu amor.
O garotinho suspirou aliviado, finalmente, teria na vida um pouco de carinho e proteção. Dorotéia mais do que uma irmã era perfeita, ele vestiu a calça apressado limpou as mãos na bacia cheia de água que ficava sobre o criado mudo, se secou na toalha bordada, abriu a porta e abraçou a irmã, uma santa em ascensão.